15 de setembro de 2026

Um em cada 17 goianos pode ser neurodivergente

Estimativa é resultante do Censo para autistas e de projeções da OMS para portadores de TDAH e dislexia; candidato a vaga na Alego defende criação de centros públicos de diagnósticos 

Apesar de não existir estatística oficial para todas as condições enquadradas como neurodivergências em Goiás, estima-se que mais de 400 mil pessoas no estado sejam portadoras de Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou dislexia. Isso faz com que 6% da população do estado possa ser incluída em pelo menos uma dessas três condições, ou seja: é provável que um em cada 17 goianos seja neurodivergente. 

O levantamento é obtido por meio de estimativas epidemiológicas usadas em documentos técnicos na literatura científica sobre o tema revisados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a população brasileira, considerado o percentual nesse universo ocupado pela população goiana (3,5%). A magnitude dos números ainda carece de ser comprovada de forma oficial. Atualmente, apenas o TEA tem expressão estatística nesse nível de formalidade, pois constou no questionário realizado para levantamento do último Censo, em 2022. 

A principal ferramenta para a obtenção de certeza quanto ao número de neurodivergentes é o diagnóstico. A oferta dessa ferramenta estatística esbarra, entretanto, na barreira econômica. Os exames e procedimentos destinados a produzir diagnóstico para condições específicas de neurodesenvolvimento em Goiás custam, em média, entre R$ 1.800 e R$ 4.500 por laudo. Além do empecilho estatístico, a ausência de diagnóstico produz uma série de consequências negativas para quem é suspeito de portar tais condições: dificuldade para acesso a adaptações educacionais, inacessibilidade a tratamento especializado e a políticas públicas são apenas os mais visíveis. 

Por essa razão, o empresário canedense e candidato a deputado estadual Samuel Carvalho (Republicanos), que é diagnosticado com TDAH, defende a implantação de Centros Estaduais de Diagnóstico dos Transtornos do Desenvolvimento. Para o postulante a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), tais instituições teriam de ser mantidas pelo poder público, e seriam destinadas a fornecer, de forma gratuita, uma gama de serviços destinados a conferir aos portadores de neurodivergências uma confirmação científica para sua condição. 

“Esses centros podem oferecer serviços em todo o ciclo do diagnóstico: começando pela triagem, passando pela investigação de equipe multidisciplinar de saúde, pelo diagnóstico em si até a emissão do laudo, com o encaminhamento adequado a centros de saúde especializados, cuja implantação também defendemos na rede de saúde pública”, explica o candidato.