Candidato defende políticas públicas voltadas para neurodivergentes na área da cultura
Diagnosticado com TDAH, Samuel Carvalho postula elaboração de Política Estadual Neuroinclusiva como forma de posicionar Goiás na vanguarda do setor
As estimativas existentes para a população atípica em Goiás diagnosticada com pelo menos uma das três principais neurodivergências – Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e dislexia – impressionam pela amplitude. Estima-se que 13,4% dos mais de 7 milhões de goianos portam uma dessas condições.
Para qualquer setor de políticas públicas, a relevância numérica dessa população deveria ser levada em conta na hora de formular o que será oferecido. Com o setor cultural não é diferente. Porém, no que diz respeito ao acesso a bens culturais públicos, a complexidade do tema ganha uma camada adicional.
“Quando falamos de políticas públicas voltadas para a cultura dirigida a uma população neurodivergente, não estamos falando de acessibilidade apenas no equipamento físico, nas instalações. Estamos falando de adaptação na forma como o evento é apresentado e na maneira como o público vai usufruir esse conteúdo”. Quem explica é o empresário canedense Samuel Carvalho. Diagnosticado com TDAH, ele é candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) pelo Podemos. Sua principal bandeira é a defesa dos direitos da população neurodivergente em Goiás.
Nesse sentido, o candidato defende um programa de ações para política culturais especificamente voltados para esse estrato da população, na forma de uma Política Estadual de Cultura Neuroinclusiva. “Penso em quatro pilares: o da fruição, que aborda os atípicos como público; o da produção, que trata dos artistas neurodivergentes; o de equipamentos, referente ao tratamento dos espaços, e o da participação, que é de responsabilidade dos formuladores de políticas públicas”, explica.
Nas frentes da fruição e de equipamentos de sua proposta de uma Política Estadual de Cultura Neuroinclusiva, Carvalho defende a adoção de parâmetros na montagem de eventos em espaços públicos com o bjetivo de prevenir a sobrecarga de sentidos e a economia sensorial. “Cinemas, salas de teatro museus e bibliotecas devem ser dotados de momentos de baixa estimulação e de áreas de descompressão sensorial quando a crise acontece”, analisa.
Iluminação reduzida, volume sonoro controlado, menor limite previsto para lotação e entrada e saída livre são algumas medidas as quais, apesar de simples, podem fazer a diferença na hora de dotar um espaço de capacidade para receber adequadamente um público atípico. “Não pode se limitar ao espaço. A própria experiència precisa se adaptar às necessidades do neurdivergente”, frisa.
No pilar da produção, Carvalho defende a adoção de uma bolsa de desenvolvimento artístico para neurodivergentes. A duração pode variar de 6 meses a um ano. “É aconselhável trabalhar com prazos mais flexíveis, onde os riscos da ocorrência de crises sejam devidamente internalizados. “Mas o ponto mais importante talvez diga respeito ao conteúdo. É muito importante que não haja qualquer exigência de produção de conteúdo especificamente neurodivergente. Seria uma atitude que reforçaria em vez de aliviar a carga de estigmatização”, pondera.
Segundo Samuel Carvalho, o surgimento de um sistema integrado e coerente de políticas culturais voltados para a emergência de uma abordagem neuroinclusiva deixaria Goiás na vanguarda desse tipo de desenvolvimento no Brasil e até mesmo internacionalmente. “É um campo no qual Goiás poderia servir de modelo. Basta vontade política”, vaticina o empresário.